Autor: Gabriel Ferreira
Publicado nas Revistas: LaborNews 233 e NewsLab 111
A formação do coágulo no sítio de lesão do endotélio é o principal processo para a manutenção da integridade dos vasos sanguíneos. Os mecanismos envolvidos nesse processo devem ser de tal forma ativados para, impedir uma perda exagerada de sangue e ao mesmo tempo não permitir a formação de trombos intravasculares.
Diversas enzimas da coagulação agem de forma a ativar procofatores em cofatores ativados, os quais localizam as proteases sobre as superfícies celulares, contendo fosfolipídios, em que essas reações acontecem. Os elementos biológicos que contribuem para o componente de fosfolipídios da coagulação incluem tecidos vasculares lesados (fatores teciduais), células inflamatórias e plaquetas ativadas. O principal contribuinte são as membranas de plaquetas, que, quando ativadas, expressam sítios de ligação para os complexos fator IXa/fator VIIIa e fator Xa/fator Va. Adicionalmente, íons de cálcio são imperativos nas diversas etapas das reações da coagulação.
ESQUEMA DA CASCATA DE COAGULAÇÃO

PROTROMBINA (TP)

PRINCÍPIO DO TESTE
A Tromboplastina desencadeia o mecanismo de coagulação da chamada via extrínseca e comum da coagulação, ativando o fator VII, um complexo dependente de cálcio. O fator VIIativado atua sobre o fator X gerando o fator Xativado e este juntamente com fosfolipídeos do fator tissular fator V e cálcio formam o complexo ativador de protrombina que transforma a protrombina em trombina. A trombina atua sobre o fibrinogênio gerando a fibrina para a formação de coágulo. O tempo de protrombina é o tempo necessário para a formação de fibrina após a mistura de tromboplastina em excesso ao plasma recalcificado (com quantidade conhecida de cloreto de cálcio).

REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO TESTE

Os resultados do TP devem sempre ser reportados em comparação com um plasma de referência normal.

O plasma de referência (também conhecido por Pool ou Controle Interno) deve ser preparado a partir da homogeneização de plasmas citratados obtidos de 20 amostras de indivíduos sabidamente saudáveis, que não estejam em uso de medicamentos.

Os resultados do TP podem ser expressos das seguintes formas:
1) Em segundos

Resultado liberado no tempo em segundos obtido até a formação do Coágulo.


2) Em atividade de Protrombina

Resultado liberado em percentagem (%) de Atividade.
Para aferição da atividade o laboratório poderá utilizar a tabela de percentual de atividade ou nos casos em que o laboratório possui procedimentos automatizados pode-se realizar a curva de calibração de atividade através da utilização de amostras em diluições sucessivas.

3) Em Razão Normalizada Internacional (RNI)
A RNI foi instituída pela OMS para padronizar as diferenças de resultados de TP entre os vários laboratórios. Essas diferenças ocorrem principalmente devido à diferença das tromboplastinas. Assim os fabricantes de tromboplastina devem determinar o ISI (Índice de Sensibilidade Internacional) mediante a padronização de sua tromboplastina frente a uma tromboplastina de referência internacional, que define a sensibilidade do reagente.

TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADA – TTPA

PRINCÍPIO DO TESTE
via intrínseca
REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO TESTE
Situações em que os testes podem ser solicitado pelo Clínico
• Antes de intervenções cirúrgicas
• Paciente com hemorragias frequentes
• Acompanhamento de terapias com anticoagulantes orais.
• Deficiências hepáticas (antes e depois da terapêutica com vitamina K)
• Acompanhamento de terapias com barbitúricos, diuréticos, digitálicos, vitamina K, anticoncepcionais, dentre outros.
AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS
RECOMENDAÇÕES, CUIDADOS E PRECAUÇÕES
  • Evitar o garroteamento prolongado de modo a evitar a possibilidade de hemólise e aspiração de líquido tissular durante a coleta.
  • Amostras provenientes de coletas traumáticas, ou aquelas em que se observa a presença de coágulos são inviáveis para utilização e devem ser desprezadas.
  • A amostra coletada deve ser levada à centrifugação no menor tempo possível, não devendo exceder o tempo de 1 hora.
  • A amostra deve ser centrifugada a 3000 rpm por 10 minutos.
  • Após centrifugação a amostra deve ser utilizada no máximo até 4 horas, desde que mantida sob refrigeração.
  • A Biotécnica disponibiliza em sua linha de produtos Reagentes para TP e TTPa Líquidos, pronto para uso e também controles de coagulação em níveis normal e patológico.