Autor: Maurício Vale Braga
Publicado nas revistas: LaborNews 235 e NewsLab 112

 

A colinesterase é o termo que faz referência  a duas enzimas que tem a capacidade de hidrolisar acetilcolina para formar a colina e o ácido correspondente .
A primeira enzima é a acetilcolinesterase ou Colinesterase I, encontrada nos glóbulos vermelho (eritrócitos), terminações nervosas (músculos estriados), mais não no plasma e é responsável pela rápida hidrólise da acetilcolina liberada nas terminações nervosas.
A segunda enzima é a pseudocolinesterase (colinesterase sérica) ou colinesterase II, é sintetizada no fígado e encontrada no plasma, no pâncreas e no intestino delgado. Atua na inativação da acetilcolina., sua atividade enzimática é inibida reversivelmente por inseticidas contendo carbamato e irreversivelmente por inseticidas organofosforados, podendo assim afastar o funcionário que mantém contato direto e seu retorno ao trabalho poderá ocorrer somente após os resultados voltarem a sua normalidade.
É um teste sensível de exposição a pesticidas e organofosforados.
A diferença entre os dois tipos de enzimas está nas respectivas preferências por substratos: a acetilcolinesterase hidrolisa acetil-colina mais rápido, já a pseudocolinesterase hidrolisa a butirilcolina mais rápido.
Ambos compostos catalizam a hidrólise (destruição) do neurotransmissor acetil-colina restante no espaço sináptico em colina e ácido acético, reação necessária para permitir que o neurônio colinérgico retorne a seu estado de repouso após a ativação, evitando assim uma transmissão excessiva de acetil-colina, que sofre uma sobre-estimulação do músculo e, como consequência, debilidade e cansaço.
Sua verdadeira função fisiológica é desconhecida por hidrolisar a colina no plasma e sua atividade é regulada pela função hepática (sintetizada pelo fígado).

A Biotécnica lança sua Colinesterase (BT 11.010.00), onde o princípio de seu método utiliza  butiriltiocolina como substrato. A colinesterase catalisa a hidrólise do substrato de butiriltocolina, formando butirato e tiocolina que reduz o hexacianoferrato (III) para hexocianoferrato (II). A diminuição na absorvância é diretamente proporcional a atividade de Colinesterase na amostra.
A composição do kit Colinesterase, vem constituída já pronta para uso e apresenta-se na forma bi-reagente.
A colinesterase encontra-se em níveis aumentados em casos de:  alcoolismo,
cancêr de mama, síndrome nefrótica, obesidade, hiperlipoproteinemia do tipo IV e psicose.
A colinesterase encontra-se em níveis reduzidos em casos de:  anemia, dermatomiosite, desnutrição, doença renal crônica, embolia pulmonar, gravidez tardia, infarto do miocárdio, infecções agudas, intoxicação por inseticidas organofosforados, anticoncepcionais orais, estrogênios e doenças hepáticas parenquimatosas.
Considerando que os níveis basais da colinesterase sofrem variações de uma pessoa para outra, é importante realizar o teste basal (pré-exposição) antecipadamente nas pessoas que irão ter contato com organofosforados e carbamatos, assim ela tem sido uma ferramenta para monitoramento.