Publicado originalmente em: 26/2/2008

Teste Oral de Tolerância à Glicose

O Teste Oral de Tolerância à Glicose também conhecido como Curva de Tolerância a Glicose ou ainda Curva Glicêmica é um exame auxiliar no diagnóstico do Diabetes Mellitus e da Hipoglicemia.

Diabetes Mellitus

Atualmente três critérios são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), American Diabetes Association (ADA) e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) para o diagnóstico de Diabetes Mellitus:

1. Sintomas de poliúria, polidipsia e perda de peso sem causa aparente, acrescidos de glicemia casual acima de 200mg/dL.

2. Glicemia de jejum ≥ 126mg/dL.

3. Glicemia de 2 horas após sobrecarga de 75g de glicose anidra (dextrosol) acima de 200 mg/dL.

Esses Critérios são válidos quando as dosagens são repetidas e confirmadas em um dia diferente.

Valores de Referência­*

Categoria Glicemia de Jejum (mg/dL) 2hs pós dextrosol (mg/dL) Casual (mg/dL)
Normal < 100 < 140 -
Glicemia de Jejum alterada 100 – 125 - -
Intolerância ao Carboidrato - 140 – 199 -
Diabetes Mellitus ≥ 126 ≥ 200 ≥ 200

Assim sendo, o teste de tolerância à glicose normalmente é utilizado quando os critérios anteriores não permitem o diagnóstico do Diabetes Mellitus, mas ocorre persistência de sinais e sintomas clínicos.

O modelo de Teste Oral de Tolerância à Glicose recomendado pela ADA e OMS é aquele onde se realiza uma dosagem da glicose em dois momentos:

1. A primeira com o paciente em jejum de 8 a 14 horas;

2. A segunda 120 minutos após a ingestão de glicose;

A recomendação para estímulo com dextrosol é de 1,75g para cada quilograma de peso até a dose máxima de 75g de glicose, ou seja, os indivíduos com peso superior a 43kg devem ingerir a dose de 75g.

Modelos de Curva Glicêmica com dosagens em tempos diferentes dos supra citados são amplamente utilizados na prática clínica. Estes modelos estão baseados principalmente nos estudos do National Diabetes Data Group (NDDG).

Nesses modelos é feita a dosagem da glicemia no momento de jejum e também nos intervalos de tempo de 30, 60, 90 e 120 minutos (por vezes até 180 minutos) após ingestão do dextrosol.

Esta metodologia tem a limitação de não possuir valores referenciais de normalidade para esses tempos extras em que a glicemia é dosada, necessitando portanto de uma avaliação criteriosa do médico assistente.

Hipoglicemia

A Hipoglicemia é definida como a glicemia inferior a 50 mg/dL.

Curvas de Tolerância à Glicose com tempos superiores a 180 minutos (Curva Glicêmica Prolongada) são utilizadas em sua maioria para auxiliar no diagnóstico da hipoglicemia funcional. Os testes geralmente fazem dosagens da glicemia nos tempos de jejum e nos intervalos de 60, 90, 120 até 180 ou 240 minutos após estímulo com dextrosol. Também não possuem valores de referência que definam os limites de normalidade ou de hipoglicemia. A análise do comportamento da curva é que permite ao clínico avaliar o estado clínico do paciente.

Diabetes Gestacional

A investigação do diabetes gestacional de acordo com as normas atuais da ADA seguem as seguintes recomendações:

1. Glicemia de jejum acima de 126 mg/dL ou uma glicemia feita fora de jejum acima de 200 mg/dL faz o diagnóstico de diabetes mellitus (desde que repetido e confirmado num outro dia);

2. Mulheres que tem forte história familiar ou suspeita clínica devem se submeter entre a 24 e 28 semana de gravidez a um teste de tolerância à glicose:

Realiza-se a dosagem da glicemia uma hora após a sobrecarga de 50g de dextrosol. Neste teste não é necessário a dosagem da glicemia de jejum.

- Quando persiste a dúvida o clínico deve solicitar uma curva glicêmica com sobrecarga 100g de glicose, conhecida também como teste de O’SULLIVAN E MAHAN.

Nesse teste realiza-se a dosagem da glicemia com a paciente em Jejum e nos intervalos de tempo de 60, 90 e 120 minutos após o estímulo com 100g de dextrosol.

Valores de Referência*

Teste com sobrecarga de 50g de Dextrosol

1 Hora > 140 mg/dL

Teste com sobrecarga de 100g de Dextrosol

Jejum ≤ 95 mg/dL
1ª Hora ≤ 180 mg/dL
2ª Hora ≤ 155 mg/dL
3ª Hora ≤ 140 mg/dL

* Valores de Referência Baseados no Report of the Expert Committe on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. Clinical Practice Recommendations – ADA, 2004:27.

Considerações Para Execução do Teste

Para a realização do teste o paciente deve:

1. Ingerir de pelo menos 150g de glicídios (carboidratos) nos três dias anteriores à realização do teste (orientação médica);

2. Manter a atividade física habitual nos dias que precedem e no dia da realização do teste;

3. Relatar qualquer ocorrência adversa como a presença de infecções e ingestão de medicamentos;

Para a realização dos testes de sobrecarga é necessário a dosagem da glicemia capilar para avaliação nível glicêmico do paciente no jejum. Pacientes que apresentam glicemia de jejum elevada só deverão realizar o teste após avaliação do médico assistente.

Preferencialmente a glicemia deve ser aferida no plasma. O sangue deve ser coletado em tubo com fluoreto de sódio (EDTA Fluoretado) e em seguida separado por centrifugação de 3000 a 3500 rpm.

Quando necessário, o plasma pode ser congelado para posterior utilização.

Caso o laboratório não disponha desse reagente, a dosagem da glicemia pode ser feita no soro. Entretanto a dosagem deve ser imediata ou com o tubo acondicionado refrigerado a 4 ºC por, no máximo, 2 horas.

A etapa pré-analítica é de extrema importância para a realização das Curvas de Tolerância a Glicose.

Anote sempre nos tubos os tempos a que correspondem os materiais coletados a fim de se evitar trocas e consequentemente resultados incompatíveis.

Verifique sempre a qualidade dos reagentes utilizados e faça sempre o controle de qualidade de seus ensaios analíticos.

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