Publicado Originalmente em: 13/9/2005
Autor: Múcio Vieira

Muito tem se lido e comentado sobre a participação da dosagem de PCR para diagnóstico precoce do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).

Também são constantes os comentários à respeito de valores de referência para monitoramento de processos inflamatórios precoces à formação do ateroma e outras participações sem eventos ligados à Doença Coronariana.

Para melhor esclarecer esta participação deste marcador, descrevemos abaixo, alguns conceitos :

PROTEINA C REATIVA:

A Proteína C Reativa é um marcador inespecífico de processos inflamatórios. Uma variedade imensa de condições pode elevar as concentrações séricas da PCR, incluindo o próprio processo inflamatório, infecções e até processos de malignidade.

Recentes estudos desenvolvidos em adultos aparentemente sadios, utilizando uma PCR de alta sensibilidade (HSPCR), indicaram que a PCR é um forte e independente fator de predisposição ao desenvolvimento de doença coronariana.

Verificou-se também que dosagens simultâneas do HS- PCR e dos lipídeos (colesterol total, fração HDL e triglicerídeos) aumentam significativamente a sensibilidade dos cálculos dos fatores de risco de doença coronariana , do que os comparados somente com as dosagens dos lipideos separadamente.

Outra observação importante é que mulheres em pós menopausa, em tratamento com reposição hormonal, apresentavam valores de HS-PCR elevados. Observou-se também que drogas tais como Aspirina e Pravastatina (Mevacor), provocavam resultados de HS-PCR reduzidos, também observados em pacientes em uso de anti-inflamatórios não esteroides e glico-corticoides.

Outra observação importante é que para se avaliar o risco de doença cardiovascular, utilizando-se o HS-PCR, deve-se sempre comparar os valores obtidos das dosagens atuais com os valores obtidos anteriormente para aquele paciente, ou seja, o que vale é a comparação entre os resultados atuais e os anteriores, para se verificar se houve elevação ou decréscimo dos índices.

Concluímos então que, o HS-PCR é realmente um forte indicador de predisposição ao desenvolvimento de doença coronariana, mas que seus valores não devem ser analisados individualmente e sim comparados com valores anteriores obtidos do mesmo paciente e associado à dosagem dos lipideos (colesterol total, fração HDl, LDL e triglicerídeos).

Deve-se ainda levar em conta os fatores genéticos, familiares e ambientais do paciente, para então se formar um quadro completo da anamnese e então se inferir à respeito de uma possibilidade real e concreta de desenvolvimento de doença coronariana.

Para pacientes que não se incluam nos casos anteriormente descritos de elevação e diminuição dos valores obtidos, podemos considerar um cut-off (valor mínimo preditivo) de 2,5 mg/L.

É ainda, muito importante lembrar, que estamos falando de possibilidade , e não de diagnóstico de IAM.

O diagnóstico clínico – laboratorial do IAM é feito à partir de vários sinais e sintomas , associados à importantes dados laboratoriais e alterações do ECG.

Para este diagnóstico, dosagens de enzimas cardíacas específicas e suas sub-unidades são de vital importância (CK,CK-MB,troponina, etc )

Portanto, para portadores já diagnosticados de aterosclerose , a dosagem do PCR não tem valor preditivo para este evento.

O novo kit de PCR Ultra Sensível da Biotécnica, visa a dosagem desta proteína, em níveis de ultra – sensibilidade, proporcionando maior exatidão e precisão na determinação deste analito.

Deve-se levar em consideração , que estamos buscando valores em escala mínima, e que para um melhor resultado, uma calibração em curva (como sugerido nas instruções de uso) é a recomendável.

Para sistemas automatizados, a mesma programação utilizada para o PCR normal pode ser utilizada, porém deve-se acrescentar o modo de calibração em curva, que é característico de cada equipamento de automação. A utilização de soros controle de valores próximos do cut off do teste, garantem resultados ainda mais confiáveis.