Texto técnico publicado nas revistas: Labor News 219, News Lab 104 e Laes & Haes 189
Baby Maria Ferreira
22/2/2011

A proteína C-reativa (PCR) é um marcador de processos agudos que se eleva especialmente em processos inflamatórios e infecciosos. No início da década de 1990, o conceito de que inflamação era componente integrante da aterotrombose era altamente controverso e baseado quase inteiramente em observações. Entretanto, estudos pioneiros de alguns autores, demonstraram que biomarcadores de inflamação, incluindo PCR, foram indicativos de alto risco cardiovascular entre fumantes ou pacientes com isquemia aguda ou crônica. Concentrações de PCR e outros marcadores de fase aguda aumentam após isquemia e estão diretamente relacionados ao hábito de fumar, entretanto, estudos nestas populações não podem excluir a probabilidade deste aumento de PCR ser conseqüência deste processo em vez de um início de doença.

Muitos estudos tratam a respeito da utilidade dos biomarcadores em geral, e do PCR-Ultrasensível (PCR-US) em particular, na prevenção de risco cardiovascular em vários homens e mulheres saudáveis assintomáticos – uma questão clínica relevante, uma vez que metade dos ataques cardíacos e derrames ocorrem entre pessoas com concentrações médias ou mesmo baixas de colesterol. Estudos recentes mostram que mesmo um discreto aumento da PCR-US é um fator de risco cardiovascular além de outros já conhecidos, como os níveis de colesterol total e frações, apolipoproteína B-100 e homocisteína. Na avaliação de risco de doença cardiovascular, valores de PCR-US inferiores a 3 mg/L são considerados satisfatórios, enquanto que níveis elevados se associam a maior risco cardiovascular.

Em um trabalho de Ridker, P.M. e cols, foi avaliado um painel de 12 biomarcadores vasculares que incluiu fração de lipídeos e apolipoproteínas, homocisteína, lipoproteína (A), e 4 biomarcadores inflamatórios, dentre eles o PCR-US, como determinantes potenciais de eventos vasculares futuros entre mulheres americanas saudáveis. Dos 12 marcadores medidos no início do estudo, PCR-US foi o mais forte preditor de risco, foi efetivo na predição de eventos vasculares mesmo quando as concentrações de LDL Colesterol estavam baixas, e foi único marcador notório que acrescentou informação prognóstica dos fatores de risco bem como a taxa de Colesterol total/HDL-Colesterol.

Em 2009, em uma revisão global dos marcadores de risco emergentes pela National Academy of Clinical Biochemistry, “somente o PCR-US preenchia todos os critérios estabelecidos como um biomarcador para avaliação de risco na prevenção primária” e em 2010, baseado em estudos prospectivos, o PCR-US foi reconhecido como um marcador de risco independente, para doenças cardiovasculares, com uma magnitude de efeito pelo menos tão grande quanto a do colesterol ou da pressão arterial. O que ainda é incerto é se reduzir diretamente a inflamação pode reduzir os eventos vasculares.

Como parâmetro que melhora a predição do risco coronariano, pode-se demonstrar o uso associado da PCR-US com dosagem de colesterol e, em especial, com a relação colesterol total/colesterol HDL. A dosagem da PCR por método ultra-sensível pode contribuir tanto para a identificação de indivíduos assintomáticos com risco de doença cardiovascular por aterosclerose, como para o acompanhamento de pacientes que já tenham doença cardiovascular.

Com essa finalidade, a Biotécnica oferece ao mercado o kit de PCR Ultra Sensível – CAT.BT 20.017.00 – com metodologia Turbidimétrica. O produto se destaca dentre os demais, pois além da tradicional qualidade Biotécnica, é o único do mercado que possui controle incluso para que o laboratório possa realizar as medições de Controle de Qualidade do ensaio.